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Presidenciais 2026: Carreiristas da Política Vs Quem Conhece a Vida Real

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  Portugal encontra-se novamente numa encruzilhada decisiva. As eleições presidenciais de 18 de janeiro de 2026 trazem ao palco um conjunto de oito candidatos que, de formas distintas, representam visões diferentes sobre o que deve ser a liderança do país. Entre políticos de carreira que nunca saíram da bolha de Lisboa, militares que desafiaram o status quo, e vozes que prometem mudança mas acabam por soar a mais do mesmo, os portugueses terão de fazer uma escolha fundamental: queremos continuar com os mesmos rostos que sempre geraram os mesmos problemas, ou estamos dispostos a arriscar numa liderança diferente? Comecemos por Luís Marques Mendes que se apresenta aos portugueses como o candidato da experiência, da estabilidade, da previsibilidade. Nascido em Azurém, Guimarães, em 1957, licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Marques Mendes construiu toda a sua identidade em torno da política. E é precisamente aqui que reside o problema fundamental...

Vencimentos: estudar deixou de compensar

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  Em alguns casos é cada vez menos compensatório. Vou explicar o meu raciocínio que corrobora a afirmação anterior. Vamos aos números, que não mentem. Em 2015, o salário mínimo em Portugal era 55% do salário médio. Em 2024, já representava 68%. Subiu 13 pontos percentuais em menos de uma década. Portugal tornou-se o país da Zona Euro onde o salário mínimo está mais perto do salário mediano. À primeira vista, parece positivo. Afinal, estamos a subir o salário mais baixo, certo? O problema é que estamos a fazê-lo sozinhos. O salário médio não acompanhou. E isto não é um pormenor técnico – é um problema gravíssimo que está a destruir a classe média portuguesa. O Governo já anunciou: salário mínimo vai para 920 euros em 2026 e 1.100 euros em 2029. Ótimo. Ninguém discute isso. Mas pergunto: e depois? E os que ganham 1.200? E os que ganham 1.500? E os que estudaram, se qualificaram, têm anos de experiência? Vão ficar a ver navios enquanto o mínimo lhes come terreno mês após mês? Desde 20...

A indisciplina nas escolas

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  Segundo o maior inquérito internacional realizado pela OCDE com professores do ensino obrigatório, um em cada três professores em Portugal queixa-se do ruído e desordem, perdendo agora mais tempo a manter a disciplina em sala de aula do que em 2018. Os números não mentem, mas também não contam toda a história. A verdade é que a indisciplina se tornou o elefante na sala que todos veem, mas poucos querem enfrentar com a seriedade que o problema merece. Os vários incidentes de violência nas escolas portuguesas, e aqueles que nem sequer chegam aos noticiários, não são anomalias isoladas. São sintomas de uma doença que há muito corrói o nosso sistema educativo. A indisciplina nas escolas portuguesas tornou-se efetivamente um problema estrutural que compromete o ambiente de aprendizagem e o bem-estar de alunos e professores. E enquanto continuarmos a tratá-los como casos pontuais, estaremos apenas a adiar o inevitável: o colapso completo da autoridade pedagógica e, com ela, da própria ...

O argumento que a esquerda não quer ouvir

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Não há mais dúvidas. Há pelo menos três grandes líderes mundiais que começam a fazer história, mesmo contra todas as narrativas e preconceitos ideológicos que têm dominado boa parte das redações dos media ocidentais. Enquanto comentadores de esquerda se apresentam a comentar cada resultado, cada vitória, nervosamente, três líderes mundiais estão a fazer algo impensável. Estão a ter sucesso. Javier Milei na Argentina, Donald Trump nos Estados Unidos e Giorgia Meloni na Itália. Engane-se quem pensa que são apenas três governantes conservadores, são, isso sim, três pedradas no charco contra décadas de ortodoxia progressista. E isso, para quem controla boa parte da comunicação social, tem sido um problema existencial. Contra todas as previsões nas sondagens e contrariando a maioria dos comentadores mundiais, na Argentina, um país que parecia condenado a repetir eternamente o mesmo ciclo de populismo, inflação galopante e miséria voltou a vencer Milei. Havia assumido o poder em dezembro de ...

Perder a aura

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  Confesso que quando ouvi as declarações do Ministro da Educação sobre os professores perderem a "aura" ao manifestarem-se, também me sobressaltei. A primeira reação foi a mesma de muita gente: "mas que disparate é este?". Mas depois de ler, reler e pensar melhor no assunto, acho que vale a pena olhar para isto de outra maneira. Vamos lá ver. O que é que Fernando Alexandre quererá ter dito, realmente? Reconheceu que os professores são respeitados, que têm autoridade, que sabem. E depois acrescentou aquela frase infeliz sobre perder a aura nas manifestações. Ora, eu pergunto. Não estará ele simplesmente a constatar o óbvio? Que há uma parte da sociedade portuguesa que, infelizmente, olha de lado para quem se manifesta? Que há gente que acha que protestar é coisa de mal-agradecidos ou preguiçosos? O problema não é o que o ministro disse. O problema é que ele tem razão quanto ao facto de haver essa perceção. Só que quem está errado não são os professores, é a sociedad...

Quando a ausência de limites se torna fatal

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Na tarde de terça-feira, em Vagos, um rapaz de 14 anos disparou sobre a mãe, Susana Gravato, vereadora da Câmara Municipal. A notícia chocou o país, não apenas pela brutalidade do ato, mas porque nos obriga a olhar para algo que teimamos em ignorar: estamos a criar uma geração sem limites, sem consequências, sem noção do que é inaceitável. Este caso extremo não surgiu do nada. É o culminar de anos de permissividade, de desresponsabilização parental, de uma sociedade que tem medo de dizer "não" às crianças. E as escolas têm sido o palco privilegiado onde este drama se desenrola diariamente, num crescendo que já ninguém consegue controlar. Basta falar com qualquer professor para perceber a dimensão do problema. As salas de aula tornaram-se campos de batalha onde impera o desrespeito, a agressividade, a total ausência de regras. Os alunos gritam, insultam, ameaçam. E os pais? Muitos deles surgem na escola não para corrigir os filhos, mas para os defender, para culpar os professo...

Domingo à noite, o mapa mudou

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  Há noites eleitorais que são apenas mais uma volta ao ciclo. Ganham uns, perdem outros, daqui a quatro anos logo se vê. Esta não foi uma dessas noites. O que aconteceu domingo mudou o mapa do poder local de forma que vai deixar marca nos próximos anos. O PSD ganhou. Não ganhou “bem”, ganhou mesmo. Lisboa, Porto, Gaia, Sintra – são cidades que não se conquistam por acaso. E quando se junta a isto Guimarães, Beja, Nazaré, percebe-se que não estamos a falar de um bom resultado, estamos a falar de uma reconfiguração. Carlos Moedas fez história em Lisboa. Duas vitórias seguidas para o PSD na capital é coisa que não se via há cinquenta anos. Ganhou bem, aumentou votos, elegeu mais um vereador. Acabou com quinze anos de domínio socialista. É preciso ser-se muito teimoso para não chamar a isto uma grande vitória. Mas fico a pensar: e se tivesse ido a todas as freguesias? Mesmo àquelas onde sabia que ia levar uma tareia? A maioria absoluta estava ali, a um ou dois vereadores de distância....