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Os Professores Legislaram. Portugal Ganhou.

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No passado dia 12 de junho, algo aconteceu no Hemiciclo que merece ser dito em voz alta e sem rodeios. A democracia funcionou. E funcionou graças a professores. Pessoas que, depois de anos a corrigir testes, a gerir turmas sem recursos, a ver colegas mais novos ultrapassá-los na carreira sem nenhuma justificação que a razão ou a Constituição aceitem, decidiram não desistir. Decidiram ir à Assembleia. Decidiram legislar. E ganharam. O Projeto de Lei n.º 285/XVII/1.ª, nascido de uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos subscrita por mais de 24 mil pessoas, foi aprovado por maioria. É uma vitória que diz respeito a todos os portugueses, mesmo aos que ainda não perceberam que o destino dos professores é o destino dos seus filhos e dos seus netos. É uma vitória que pertence a quem não se rendeu, aos que circularam petições em salas de professores, aos que explicaram o problema em família, aos que foram ao Parlamento mostrar que isto não era uma causa de sindicato, era uma causa de cidadãos. O...

A escola pública não precisa de pena. Precisa de respeito.

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  O problema da educação pública portuguesa não é falta de diagnóstico. É falta de vontade de tratar a doença pelo nome. Há um elefante em cada sala de aula portuguesa. Chama-se indisciplina crónica, chama-se desvalorização sistemática do professor, chama-se burocracia sufocante. E nós, coletivamente, continuamos a desviar o olhar. Os dados da OCDE não mentem. Portugal está acima da média europeia no tempo de aula perdido por comportamentos perturbadores. Um em cada três professores refere ser afetado regularmente. Ao mesmo tempo, cerca de 79% dos docentes identificam o excesso de carga administrativa como obstáculo real ao seu trabalho. Não são números abstratos, são horas roubadas ao ensino, sono roubado a quem ensina, vocação progressivamente esgotada pelo atrito institucional. E no entanto, persistimos num ciclo estranho. O país declara amar a escola pública e vai deixando erodir, mês após mês, as condições que a fazem funcionar. "Autoridade pedagógica não é autoritarismo. É o...

A asfixia fiscal como motor do empobrecimento nacional

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  Portugal converteu-se num país hostil ao talento, ao mérito e à fixação de capital humano. Sob o pretexto da justiça social e da redistribuição, sucessivos governos desenharam um modelo económico assente numa predação fiscal sem precedentes sobre os rendimentos do trabalho. O resultado está à vista de todos. Uma nação economicamente estagnada, onde a classe média qualificada foi virtualmente dizimada e os jovens mais promissores são empurrados para o aeroporto. Os dados expõem uma realidade avassaladora que destrói a narrativa oficial de progresso. Quando analisamos o percurso dos quadros qualificados nas últimas duas décadas, o cenário é de absoluta regressão. Um trabalhador qualificado em 2026 afunda-se numa erosão financeira que o coloca numa posição substancialmente pior do que a da geração que o antecedeu. Estamos perante um verdadeiro declínio salarial entre gerações, onde estudar, especializar-se e trabalhar arduamente em Portugal deixou de ser uma garantia de prosperidade...

Trabalhar para continuar pobre: o mito da poupança num país de salários de miséria

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  Toda a gente concorda: os portugueses não estão preparados para a reforma. O novo Barómetro "Preparação da Reforma", da Católica-Lisbon em parceria com o Doutor Finanças, é devastador nos números. 54% antecipa dificuldades financeiras sérias quando se reformar. 73% não sabe quanto precisa de poupar. 31% não poupa absolutamente nada. A narrativa que se segue a estes dados é quase sempre a mesma: falta de literacia financeira, falta de disciplina, falta de planeamento. A solução proposta? Mais educação financeira. Mais PPRs. Mais simuladores online. Mas há uma pergunta que raramente se faz em voz alta. E se o problema não for que os portugueses não querem poupar, mas sim que não podem? Quando se fala de salários em Portugal, o número que aparece nos títulos é sempre o mesmo: 1.694 euros brutos mensais em 2025, segundo o INE. Soa razoável. Soa até otimista. É uma ilusão. O salário mediano, aquele que representa o trabalhador do meio, nem o mais pobre nem o mais rico, situa-se ...

António Costa - O Cinismo de Quem Criou o Problema

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  Há momentos em que a audácia política choca de tal forma com os factos que só pode ser interpretada como um cálculo frio sobre a memória coletiva, ou a falta dela. Num discurso perante o Comité Económico e Social Europeu em Bruxelas, António Costa, atual presidente do Conselho Europeu e ex-primeiro-ministro de Portugal durante oito anos, declarou ser "inaceitável" que jovens portugueses tenham de gastar "100% do salário" durante duas ou três décadas para conseguir comprar uma casa. Uma afirmação verdadeira. Uma afirmação que ele deveria ter feito quando tinha poder para mudar o problema. Uma afirmação que, dita por ele, no papel que ocupa agora, é um insulto a cada português que viveu os anos da sua governação. Comecemos pelo essencial. Os dados. Desde 2015, exatamente o ano em que António Costa chegou ao poder, os preços das casas em Portugal subiram 180%, a segunda maior valorização de toda a União Europeia segundo o Eurostat. Não é coincidência de calendário. É...

A escola portuguesa: entre a promessa e o fracasso

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  Desde o 25 de Abril, a escola portuguesa vive uma promessa contraditória. Ser simultaneamente mais igual, mais democrática e mais exigente. Meio século depois, essa promessa continua por cumprir. O sistema educativo entre o 1.º e o 12.º ano evoluiu para um modelo que certifica mais do que qualifica, que diploma sem verdadeiramente formar, e que, em nome de uma certa ideia de inclusão, foi gradualmente esvaziando o sentido de responsabilidade de alunos, famílias e da própria escola. Esta não é uma falha imputável apenas à esquerda ou à direita. É o resultado de décadas de opções políticas convergentes que, sob diferentes retóricas, produziram o mesmo efeito. Uma escola de mínimos. Desde 1976, a educação portuguesa foi administrada por governos minoritários, coligações instáveis e pactos de legislatura curta. O PS liderou o executivo por mais de duas décadas, o PSD por cerca de oito a nove anos, muitas vezes em coligação. Nenhum dos dois campos construiu uma visão de longo prazo pa...

A Memória Curta e o Sectarismo Cómodo

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  No passado dia 6 de maio, o Agrupamento de Escolas de Santa Maria dos Olivais, na Escola Secundária António Damásio, teve a honra de receber a visita do ex-Primeiro-Ministro Dr. Pedro Passos Coelho. A ocasião inseria-se na disciplina de opção de Ciência Política do 12.º ano, uma iniciativa que temos orgulho em promover e que tem trazido à nossa escola políticos de todos os quadrantes político-partidários, num espírito de abertura, pluralismo e estímulo ao pensamento crítico. O tema debatido foi "Portugal 2040: que papel para os jovens na construção do País". Um tema sério, pertinente,  que merecia ser recebido com a seriedade que lhe é devida. Publiquei a informação na minha página de Facebook. E comecei a ler os comentários. Não foi uma leitura animadora. Entre os vários comentários que surgiram, destaco alguns, pela sua representatividade: "Será que Passos Coelho mandou os jovens emigrar?" "Educação aberta ao mundo..." "Bem... Já nos mandara...