A inclusão como fantasma e a desistência deliberada
Há um fantasma que percorre os corredores da escola pública portuguesa. É um fantasma mais subtil, mais perverso. Veste-se de linguagem técnica, de siglas novas e brilhantes, de promessas de “operacionalização efetiva”. Chama-se, ironicamente, inclusão. E assombra não os corredores desertos, mas exatamente o contrário. As salas cheias, os professores exaustos, as crianças que esperam um apoio que nunca chega a horas. A escola pública portuguesa, essa que deveria ser o derradeiro elevador social, transformou-se num laboratório de ilusões burocráticas. Sob a capa de uma pretensa “educação inclusiva”, os vários ministros têm vindo a produzir decretos-lei que, de tão distantes da realidade do terreno, parecem redigidos numa dimensão paralela àquela em que vivem os professores, os alunos e as famílias todos os dias. Nesta última revisão, enquanto os gabinetes ministeriais se congratulam com a densificação de conceitos e com a criação de novas estruturas, o Sistema Nacional de Apoio à ...