O Estado que não cumpre a palavra dada
Há uma imagem que resume o país! Em pleno Verão de 2026, com os reservatórios de Almada a esvaziarem-se semana após semana até chegarem a cerca de 10% da sua capacidade, foi preciso que os moradores da Costa da Caparica, da Sobreda e dos Capuchos passassem a organizar a vida à volta de baldes e garrafões, e que mais de quatro mil pessoas assinassem uma petição, para que a Câmara Municipal ativasse, só a 6 de julho, um plano de contingência que já devia estar a funcionar há semanas. A autarquia, liderada por Inês de Medeiros, garante que o problema não foi de fugas nem de infraestruturas, foi, disse, a procura a superar a água que os furos conseguem captar. Pode ser verdade. O que não deixa de ser verdade também é que, entre o momento em que os níveis começaram a cair e o momento em que alguém decidiu agir, houve gente sem água para tomar banho, cozinhar ou lavar a loiça, durante semanas, num concelho da área metropolitana de Lisboa, no ano de 2026. Não em nenhuma aldeia esquecida...