Vouchers holandeses para a Sertã? A geografia mata a liberdade de escolha
Escrevo este artigo porque me deparei, por estes dias, com um texto sobre o sistema de vouchers escolares dos Países Baixos, publicado pelo Instituto +Liberdade, que propõe importar essa experiência para Portugal como solução para os nossos problemas educativos. É uma peça bem-intencionada, que aponta problemas reais, mas que, ao ignorar o mapa português, cai no erro habitual de quem faz política de gabinete sem pisar o terreno. A liberdade de escolha soa bem em conferências, mas torna-se retórica vazia quando só existe para quem vive entre o Marquês e a Boavista, enquanto alunos de Seia, Sertã, Bragança ou Monchique olham para um horizonte de uma única escola pública ao alcance. O modelo neerlandês funciona num país pequeno, denso, com escolas públicas e privadas espalhadas de forma equilibrada e transportes que encurtam distâncias. Aqui, a mesma ideia esbarra na realidade nua. Lisboa e Porto concentram mais privados do que públicas, com o setor particular a valer cerca de 60% d...