O espelho partido dos partidos tradicionais
Na cidade da Praia, Cabo Verde, Hugo Soares disse em voz alta aquilo que muitos dirigentes do PSD dizem em privado. Quem saiu do partido para o Chega “nunca teve espaço por falta de qualidade”. A frase é curta, limpa e conveniente. Serve para separar os que ficaram dos que saíram. Uns ficam do lado dos bons. Os outros passam para o lado dos fracos, dos ressentidos, dos incapazes. Mas, dita em Cabo Verde, numa conferência sobre democracia, a frase deixa de soar a desabafo e passa a soar a doutrina. Fica a ideia de que há gente que merece ter lugar no sistema e gente que não merece. Hugo Soares acrescentou outra tese. O populismo combate-se governando bem e pagando melhor aos políticos. Segundo ele, os políticos são hoje mal pagos, e só salários mais altos atrairiam os melhores. É uma ideia antiga. A política como mercado de talentos. Como se o problema principal estivesse na folha salarial e não nos mecanismos de escolha, nas redes de favores ou nos aparelhos partidários. A questão não ...