Mensagens

Dia 8 de Fevereiro: proteger a democracia ou salvar o status quo?

Imagem
  A aproximação ao dia 8 de fevereiro coloca-nos perante um cenário que exige muito mais do que a habitual espuma dos dias ou a repetição acrítica de slogans a que nos habituaram. O que está verdadeiramente em causa nesta eleição disputada num clima de alta tensão entre André Ventura e António José Seguro transcende as próprias figuras e é um teste à maturidade do nosso sistema democrático e à capacidade do eleitorado de separar o trigo do joio no meio de um ruído ensurdecedor. Nas últimas semanas assistimos a um debate público sequestrado por uma chuva de adjetivos onde de um lado temos a colagem de epítetos como fascista ou xenófobo e do outro a retórica antissistema. Mas objetivamente o que é que esta guerra de rótulos produziu? As sondagens e a perceção pública indicam que a estratégia de diabolização usada até à exaustão pode ter esgotado o seu prazo de validade. Ao invés de afastar o eleitorado parece ter cristalizado posições e tornado a disputa muito mais renhida do que as ...

A ilusão do preço e a realidade da oficina: uma escolha de racionalidade

Imagem
Toyota                                                                              Lexus Não se iludam. Compreendo perfeitamente quem opta pelas marcas europeias. Muitas vezes, o preço de aquisição é mais convidativo e o design tem aquele peso histórico que todos respeitamos. É legítimo querer poupar no momento da compra. Contudo, estamos a ser enganados por uma matemática de curto prazo: o que poupamos no stand, acabamos demasiadas vezes a entregar, com juros, na oficina. É urgente distinguir o valor da etiqueta do custo real da vida útil do automóvel. E os factos, caros leitores, não perdoam. Basta analisar com frieza os relatórios da J.D. Power e da Consumer Reports dos últimos seis anos. Não são opiniões, são dados estatísticos massivos que nos mostram uma realidade sistémica: A consistênc...
Imagem
  O estudo de Eugénio Rosa é um murro na mesa que o país insiste em ignorar. Entre 2013 e 2026, a despesa pública em educação, do básico ao superior, desce de 5,2% para 3,6% do PIB, uma quebra de 31% num período em que todos repetem, liturgicamente, que “a educação é prioridade estratégica”. Não é. Uma prioridade não se corta em quase um terço em treze anos, sobretudo quando o mesmo estudo mostra que Portugal é o país da União Europeia com maior peso de trabalhadores com apenas o ensino básico e em que, em 2024, a percentagem de empregados com esse nível de escolaridade era ainda o dobro da média europeia. A mensagem é cristalina. O país acomodou-se a uma economia de baixos salários e baixa qualificação e, coerentemente, desenha um orçamento da educação à medida dessa ambição encolhida.​ A brutalidade dos números desmonta qualquer narrativa de inevitabilidade orçamental. Se em 2026 o Estado destinasse à educação os mesmos 5,2% do PIB de 2013, haveria mais 5,1 mil milhões de euros d...

Ministro Da Educação - A virtude da ação e o pecado da palavra!

Imagem
  Recebi a notícia com a perplexidade de quem, infelizmente, já viu de tudo na Educação, mas que continua a ser surpreendido pela inesgotável criatividade burocrática do Ministério. A reação nas escolas oscila entre a incredulidade e a indignação perante mais uma prova de desconexão. Quero que fique claro! Estou sempre do lado da solução. O que não invalida, antes obriga, que critique aquilo que acho ser, mais uma vez, uma péssima mensagem política enviada às escolas. O Ministério podia perfeitamente ter dito o óbvio e o sensato. Poderia ter dito que iria aproveitar um sistema já instalado de sumários em plataformas internas e que, como se sabe, a esmagadora maioria dos professores cumpre com rigor, podia ter dito que pretendia aproximar ao máximo o número de alunos sem aulas e que, para isso, contava com a colaboração dos docentes para manter o rigor habitual nesta tarefa diária e sagrada. Se a mensagem fosse esta, de parceria e reconhecimento, teria a classe do seu lado. Mas pref...

Ventura é o filho legítimo de 50 anos de fracasso!

Imagem
  Os resultados das eleições presidenciais trazem-nos uma leitura que vai muito para além da simples aritmética eleitoral, embora os números sejam, como sempre, teimosos. Se olharmos para os gráficos, percebemos que António José Seguro pintou o mapa de cor-de-rosa, vencendo em 18 dos 20 distritos. No entanto, esta vitória na primeira volta esconde uma realidade que não pode ser ignorada: a direita, no seu conjunto, tem a maioria. Se somarmos os votos de André Ventura, Cotrim de Figueiredo e Marques Mendes, atingimos os 50,8%, contra os 35,5% da soma dos candidatos à esquerda. O que falhou então? A esquerda, que parecia fragmentada com vários candidatos, acabou por ser pragmática e reunir os votos em Seguro, que obteve mais 312 mil votos do que o próprio PS nas legislativas. A direita, por sua vez, dispersou-se. Não critico esta dispersão. Em eleições presidenciais, o voto deve ser livre e não arregimentado aos partidos. É salutar que assim seja, pois, o Presidente não é um líde...

O suicídio assistido da democracia e o silêncio dos cúmplices

Imagem
É absolutamente incompreensível e roça o delírio coletivo que a classe política continue a assobiar para o lado perante o elefante que ocupa a sala de estar da democracia portuguesa pois não existe um único deputado ou governante que desconheça a fraude a céu aberto que se passeia nas nossas estradas e vive nos nossos bairros mas escolhem o silêncio como estratégia de sobrevivência. O retrato que a Pordata nos devolve é o de uma nação esquizofrénica que decidiu institucionalizar a mentira como método de gestão económica e social ao criar um sistema fiscal que funciona como uma máquina de triturar a classe média transparente enquanto serve de guarda-costas a uma elite que domina a arte do ocultismo contabilístico. A perversidade começa na própria estrutura do trabalho e do conhecimento uma vez que criámos um paradoxo europeu único onde quem sabe mais obedece a quem sabe menos e temos hoje uma força laboral onde mais de um terço dos trabalhadores possui ensino superior e injeta no mercad...

Apagam o Natal em nome da inclusão

Imagem
  Quando um agrupamento como o de José Maria dos Santos, no Pinhal Novo, decide eliminar por completo qualquer cenário natalício das fotografias escolares para que ninguém “se sinta excluído”, não está a incluir minorias, está a retirar à maioria o direito a ver reconhecida a sua própria cultura num espaço que é, por definição, comum. A direção garante que o valor emocional das fotografias “se mantém intacto”, mas o incómodo dos pais mostra precisamente o contrário, a neutralidade visual não é neutra, é uma escolha que apaga a marca cultural da quadra em nome de uma sensibilidade abstrata que ninguém concretamente reivindicou. A tolerância não consiste em esconder o Natal para poupar eventuais suscetibilidades de quem veio viver para um país maioritariamente cristão secularizado, consiste em esperar que quem chega reconheça que entra numa casa com história e rituais próprios e que os respeite, sem que isso implique que adote a fé ou os costumes. Transformar o calendário e o espaço ...