A escola pública não precisa de pena. Precisa de respeito.
O problema da educação pública portuguesa não é falta de diagnóstico. É falta de vontade de tratar a doença pelo nome. Há um elefante em cada sala de aula portuguesa. Chama-se indisciplina crónica, chama-se desvalorização sistemática do professor, chama-se burocracia sufocante. E nós, coletivamente, continuamos a desviar o olhar. Os dados da OCDE não mentem. Portugal está acima da média europeia no tempo de aula perdido por comportamentos perturbadores. Um em cada três professores refere ser afetado regularmente. Ao mesmo tempo, cerca de 79% dos docentes identificam o excesso de carga administrativa como obstáculo real ao seu trabalho. Não são números abstratos, são horas roubadas ao ensino, sono roubado a quem ensina, vocação progressivamente esgotada pelo atrito institucional. E no entanto, persistimos num ciclo estranho. O país declara amar a escola pública e vai deixando erodir, mês após mês, as condições que a fazem funcionar. "Autoridade pedagógica não é autoritarismo. É o...