O mito da engenharia alemã desfeito pelos números
No cenário nacional, onde o salário mediano se arrasta por perto dos 900 euros e um automóvel novo exige um gasto que facilmente excede os 30 mil, a lógica ditaria que a escolha de um carro se pautasse pela fria racionalidade económica. No entanto, não é isso que vemos acontecer, numa breve circulação por estradas portuguesas. A realidade teima em desafiar este pressuposto. Continuamos, muito por culpa dos “especialistas” automóveis, diga-se, com uma devoção quase mística, em perseguir os símbolos germânicos do prestígio — a tríade Audi, BMW e Mercedes-Benz — ignorando olimpicamente os dados objetivos que as afastam do pedestal da sensatez e da racionalidade. Aquele mito de superioridade germânica, tão enraizado no nosso imaginário, todos os anos se desfaz perante os estudos internacionais de fiabilidade. Por exemplo, as conclusões do prestigiado J.D. Power Vehicle Dependability Study de 2024 são, no mínimo, embaraçosas para os, ainda, defensores da engenharia al...