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O mito da engenharia alemã desfeito pelos números

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  No cenário nacional, onde o salário mediano se arrasta por perto dos 900 euros e um automóvel novo exige um gasto que facilmente excede os 30 mil, a lógica ditaria que a escolha de um carro se pautasse pela fria racionalidade económica. No entanto, não é isso que vemos acontecer, numa breve circulação por estradas portuguesas. A realidade teima em desafiar este pressuposto. Continuamos, muito por culpa dos “especialistas” automóveis, diga-se, com uma devoção quase mística, em perseguir os símbolos germânicos do prestígio — a tríade Audi, BMW e Mercedes-Benz — ignorando olimpicamente os dados objetivos que as afastam do pedestal da sensatez e da racionalidade. Aquele mito de superioridade germânica, tão enraizado no nosso imaginário, todos os anos se desfaz perante os estudos internacionais de fiabilidade.   Por exemplo, as conclusões do prestigiado J.D. Power Vehicle Dependability Study de 2024 são, no mínimo, embaraçosas para os, ainda,   defensores da engenharia al...

A Falsa Promessa Verde

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  Numa época em que questionar a narrativa dominante relativamente à transição energética no setor automóvel tornou-se quase uma heresia, arrisco a escrever este texto em jeito de alerta. Quem faz o alerta não sou eu, mas vários estudos, que tem dificuldades em conseguirem ser notícia nos órgãos de comunicação social mainstream e a maior construtora de automóveis mundial, a Toyota. Assistimos diariamente à pressão mediática e política para a transição energética que se torna difícil alguém atrever-se a analisar de forma idónea os dados científicos ao alcance de uma pequena pesquisa nos motores de busca disponível a qualquer um. Contudo, começam a aparecer estudos, nomeadamente na Alemanha, e declarações do gigante da indústria automóvel que revelam uma realidade bem diferente da que nos é vendida diariamente. Por exemplo, um estudo alemão recente revelou que o Tesla Model 3, que é considerado o símbolo da mobilidade sustentável, pode produzir mais CO2 do que um carro a...

A desinformação joga-se com jovens eleitores

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    No outro dia estive num debate numa escola secundária e confesso a minha estupefação. Se por um lado concordo plenamente com este tipo de dinamização nas escolas - é fundamental que os jovens se envolvam no debate político e democrático -, por outro lado é absolutamente crucial que quem lá vai seja honesto na apresentação dos factos. Infelizmente, isso não aconteceu. Não sei se é o normal neste tipo de iniciativas, mas naquele debate específico, os representantes do PS e do PCP manipularam descaradamente a informação. Quando cheguei ainda consegui assistir à apresentação do PS. Segundo me foi dito, na primeira parte outros tantos partidos fizeram a sua apresentação. A apresentação começou com o futuro candidato autárquico pelo PS à Junta de Freguesia dos Olivais a fazer uma interessante exposição sobre a importância das autarquias para a população, o poder local e tudo o que envolvia. De seguida tomaram a palavra dois jovens militantes do PS que, nas suas intervenções,...

O Perigo da Armadilha Centrista: Quando o PS Pede Socorro ao PSD

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  O momento político que atravessamos revela uma das mais cínicas manobras da história recente do PS: depois de décadas a desprezar o centro, a instrumentalizar a esquerda radical e a falir o país por três vezes consecutivas, os socialistas descobrem agora as virtudes do centrão. Mas esta súbita conversão ao centro não passa de uma armadilha mortal para o PSD e para a democracia portuguesa. Onde estavam os centristas do PS quando António Costa fingiu negociar com Passos Coelho em 2015, montando simultaneamente a geringonça com os extremistas? Onde estavam quando desprezaram Rui Rio, o político que mais acreditou na viabilidade de um entendimento ao centro? A resposta é simples: estavam calados, coniventes com uma estratégia que privilegiou sempre os acordos com a esquerda radical em detrimento do diálogo democrático com o centro-direita. O PS não hesitou em aliar-se ao Bloco de Esquerda e ao PCP para governar contra a vontade expressa nas urnas. Não hesitou em aproveitar-se da ...

Educação: A Urgência de Agir Agora!

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    Já ninguém tem dúvidas que a educação em Portugal enfrenta desafios de uma enorme complexidade, já antigos, com perigo de cristalização, que exigem uma abordagem concreta, incisiva de longo prazo. É consensual que a carga burocrática imposta aos professores tem desviado o foco da sua missão principal que é ensinar e desenvolver competências nos alunos. Neste campo, o uso dos recursos informáticos, ao invés de simplificar, acabou por adicionar tarefas e plataformas de preenchimento intermináveis se que isso tenha tido relação direta com a evolução dos alunos. A função de diretor de turma é apenas um cargo administrativo que desgasta os professores. Todas as tarefas administrativas deviam ser transferidas para os serviços administrativos das escolas, permitindo, assim, que a dedicação do professor fosse exclusivamente pedagógica. O ministro falou de facto da contratação de técnicos para tratar dessas tarefas, mas acabou por não acontecer. Há que seguir esse caminho. É um...

Calendário Escolar: Quando a Escola se Torna Prisão

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  Não podia deixar de voltar ao assunto. O Ministério de educação, o ano passado, aprovou um calendário escolar, nomeadamente para os alunos mais novos, que é desaprovado por todos aqueles que na escola trabalham. Até 2027 teremos um calendário escolar que mantém os alunos do 1.º ciclo na escola até ao final de junho, perpetuando uma política educativa que contraria todas as evidências científicas e pedagógicas disponíveis. Esta insistência num modelo comprovadamente prejudicial revela não apenas uma desconexão total com a realidade das crianças e professores, mas também a instrumentalização da escola para fins que nada têm a ver com educação. É, na realidade, assumir que o estado social faliu e que a escola faz, desde do tempo da pandemia esse papel. No entanto, os testemunhos relativamente a este calendário, apesar de unânimes e devastadores, são ignorados por quem decide. Os pais, não digo muitas das associações de pais cujo interesse é manter os alunos na escola a todo o cust...

O TRAUMA COMO FERRAMENTA DE CRESCIMENTO: REPENSAR A EDUCAÇÃO

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    Começo este artigo com uma pergunta retórica: Será que queremos eliminar o trauma do crescimento e do desenvolvimento humano? A origem da palavra “trauma" é a palavra grega traumatos , que significa "ferida" ou "lesão". No contexto Etimológico, refere-se a uma marca, a uma cicatriz que permanece após um impacto considerável. No contexto educativo, a origem etimológica ganha uma relevância específica ao observarmos que a sociedade tem tentando por todos os meios eliminar qualquer tipo de desconforto ou dificuldade no processo de aprendizagem, ignorando que as “marcas” mais profundas são frequentemente aquelas que acabam por ter um efeito maior na nossa transformação e crescimento. Nos últimos anos, sobretudo na última década, tem-se generalizado a narrativa, bastante, perigosa de que a aprendizagem deve ser um processo isento de qualquer tipo de pressão, esforço ou, usando o termo de forma mais ampla, "trauma". Esta visão reducionista ignora ...