O Perigo da Armadilha Centrista: Quando o PS Pede Socorro ao PSD
O momento político que atravessamos revela uma das mais cínicas manobras da história recente do PS: depois de décadas a desprezar o centro, a instrumentalizar a esquerda radical e a falir o país por três vezes consecutivas, os socialistas descobrem agora as virtudes do centrão. Mas esta súbita conversão ao centro não passa de uma armadilha mortal para o PSD e para a democracia portuguesa.
Onde
estavam os centristas do PS quando António Costa fingiu negociar com Passos
Coelho em 2015, montando simultaneamente a geringonça com os extremistas? Onde
estavam quando desprezaram Rui Rio, o político que mais acreditou na
viabilidade de um entendimento ao centro? A resposta é simples: estavam
calados, coniventes com uma estratégia que privilegiou sempre os acordos com a
esquerda radical em detrimento do diálogo democrático com o centro-direita.
O PS
não hesitou em aliar-se ao Bloco de Esquerda e ao PCP para governar contra a
vontade expressa nas urnas. Não hesitou em aproveitar-se da boa-fé de Rui Rio
durante a pandemia, aceitando publicamente o seu apoio enquanto secretamente
negociava com os extremistas. Não hesitou em ignorar sucessivas derrotas
eleitorais, sempre encontrando subterfúgios para se manter no poder através de
alianças contra-natura.
A
história recente é clara: em 2011, o PS deixou o país economicamente falido,
com as contas públicas em completo descontrolo. Seis meses depois,
manifestava-se contra o memorando que os próprios socialistas tinham negociado.
O ónus político dos cortes necessários ficou todo sobre Passos Coelho, enquanto
o PS se vitimizava e atacava as medidas de saneamento que a sua própria gestão
tornara inevitáveis.
Agora,
depois de uma governação desastrosa que nos trouxe uma crise habitacional sem
precedentes, uma política de imigração irresponsável que desestabilizou o país,
e uma gestão económica que nos deixou dependentes de fundos europeus, o PS
volta à mesma tática: procura transferir responsabilidades e pedir ao PSD que o
resgate do abismo político em que se encontra.
A
incoerência socialista atinge o seu auge quando proclamam ser a "segunda
força política" baseando-se no número de votos, depois de durante décadas
defenderem que o que conta era o número de deputados. Em 2015, perderam e
governaram na mesma porque conseguiram ter mais deputados unindo-se à esquerda.
Agora, perderam novamente, mas inventam critérios para se manterem relevantes.
Esta constante mudança de critérios conforme a sua conveniência revela um
partido que perdeu qualquer bússola moral ou democrática.
Depois
de mais de cinquenta anos de experiência pós-25 de Abril, os portugueses
finalmente compreenderam uma verdade fundamental: o socialismo não funciona.
Nem aqui, nem em lado nenhum. As promessas vazias, a gestão desastrosa dos
recursos públicos, a incapacidade crónica de criar riqueza genuína - tudo isto
ficou exposto de forma inequívoca durante os anos de governação socialista.
Os
portugueses viveram na pele as consequências desta ideologia falhada: casas
inacessíveis, serviços públicos degradados, uma economia dependente de
subsídios, uma sociedade crescentemente desigual. E tiraram as suas conclusões
nas urnas, relegando o PS para terceira força política.
Perante
esta realidade, seria um erro histórico o PSD cair na tentação de salvar o PS
do abismo em que se colocou. Aceitar esta parceria seria ignorar a vontade
expressa dos eleitores, que claramente optaram por uma maioria de direita.
Seria validar décadas de má governação socialista e oferecer-lhes uma tábua de
salvação imerecida.
Mais
grave ainda: seria abrir a porta a uma futura radicalização. Quando o PS
considerar que já não precisa do PSD - e esse momento chegará inevitavelmente -
voltará aos braços da esquerda radical, deixando o PSD isolado e fragilizado. O
resultado será um país ainda mais polarizado, com o Chega a beneficiar desta
traição ao eleitorado de direita e o PS a regressar aos seus verdadeiros
aliados extremistas.
O
PSD tem o dever de respeitar o veredicto das urnas. Os portugueses escolheram
uma maioria de direita e é essa vontade que deve ser honrada. Isto não
significa fechar-se ao diálogo - pontuais entendimentos com o PS em matérias
específicas podem e devem acontecer quando servem o interesse nacional. Mas a
prioridade estratégica deve ser clara: construir um governo estável com base na
maioria que os eleitores escolheram.
Portugal
precisa de uma alternativa real ao socialismo falhado. Precisa de políticas que
criem riqueza genuína, que resolvam os problemas estruturais deixados por
décadas de má governação, que devolvam esperança a uma geração que viu o seu
futuro hipotecado por experiências ideológicas falhadas.
O
momento histórico é este: ou o PSD assume a responsabilidade de liderar esta
mudança, respeitando a vontade dos eleitores, ou cairá na armadilha de salvar
um PS moribundo, traindo assim não só os seus próprios eleitores, mas todos os
portugueses que votaram por uma mudança real.
A
escolha é clara. As consequências de errar serão irreversíveis.
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