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A farsa da ignorância diplomada

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  Num país que recebeu com choque a notícia da quebra de alunos que ingressam no ensino superior e que teima em se ver ao espelho com os olhos da complacência, onde os clichês ocos ecoam mais alto que a razão, urge revisitar o que julgamos saber sobre a educação. Aquilo que, no silêncio do nosso ofício, se desenrola entre paredes de sala de aula, precisa de ser validado, não por um mero capricho, mas pela necessidade de prestar contas a uma sociedade que, em última instância, nos sustenta e exige coerência. E é aqui que a balança da arbitragem se inclina, por vezes com um peso que nos incomoda, mas que é, no final de contas, inadiável. O sistema de ensino, com os seus objetivos grandiosos inscritos em programas, é uma teia de intenções. A partir dessa generalidade, cada mestre, no seu atelier pedagógico, molda metas mais específicas. E cada estudante, esse caminheiro singular, traça o seu percurso. O que importa, no fim de contas, não é a diversidade dos trilhos, mas a chegada...

Não podemos ignorar o problema!

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Com a mais recente decisão do Tribunal Constitucional (TC) de chumbar vários aspetos cruciais da Lei de Estrangeiros, proposta pelo Governo de coligação que governa Portugal, assistimos a um alarmante divórcio entre a justiça, a política e a realidade. A grande maioria dos portugueses, que habita fora das zonas nobres das grandes metrópoles portuguesas, vive e sente os efeitos de uma gestão migratória desregulada, enquanto que a alta roda, a nata e a fina-flor da sociedade, ou seja, a "bolha" político-mediática que tudo comenta, se entretém a discutir filigranas jurídicas e doutrinas teóricas, mantém-se alheada do colapso dos serviços públicos. O Tribunal Constitucional, ao contrário do que seria de esperar, foi além do seu papel de guardião da Constituição, entrando em campos que não lhe competia e tecendo consideração sobre políticas sociais que estão para lá da sua competência, acabando por considerar inconstitucional a lei. No entanto, nesta matéria que é tão sensível, po...

A Hierarquia das Vidas e o Colapso da Razão Ocidental

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Nos últimos dias, fomos confrontados com dois casos paradigmáticos da hipocrisia que invadiu o Oriente. Os dois casos - Charlie Kirk, Iryna Zarutska que contrastam com um terceiro de George Floyd - revelam a face mais sombria dessa hipocrisia contemporânea que aniquila o Ocidente. A forma como estes casos nos são “apresentados”, não se trata apenas de inconsistência política ou de viés mediático. Estamos perante a construção deliberada de uma hierarquia das vidas humanas. Nessa construção, o valor de cada existência é determinado não pela sua humanidade intrínseca, mas pela sua utilidade para uma narrativa ideológica totalitária. Este é o mais grave problema do Ocidente. George Floyd tornou-se um ícone global. A sua morte, que foi inegavelmente trágica e injustificável, desencadeou protestos em todo o mundo e gerou milhões de dólares em donativos. Além disso, inspirou murais por todo o mundo e forçou uma revisão profunda das estruturas sociais americanas. Floyd, um crimino...

A armadilha centrista: quando o PS pede socorro ao PSD

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O momento político que atravessamos revela uma das mais cínicas manobras da história recente do PS: depois de décadas a desprezar o centro, a instrumentalizar a esquerda radical e a falir o país por três vezes consecutivas, os socialistas descobrem agora as virtudes do centrão. Mas esta súbita conversão ao centro não passa de uma armadilha mortal para o PSD e para a democracia portuguesa. Onde estavam os centristas do PS quando António Costa fingiu negociar com Passos Coelho em 2015, montando simultaneamente a geringonça com os extremistas? Onde estavam quando desprezaram Rui Rio, o político que mais acreditou na viabilidade de um entendimento ao centro? A resposta é simples: estavam calados, coniventes com uma estratégia que privilegiou sempre os acordos com a esquerda radical em detrimento do diálogo democrático com o centro-direita. O PS não hesitou em aliar-se ao Bloco de Esquerda e ao PCP para governar contra a vontade expressa nas urnas. Não hesitou em aproveitar-se d...

A Esquerda atropelada pela realidade

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As políticas de esquerda, e os seus respetivos partidos, foram derrotadas de forma histórica e devastadora. O Partido Socialista (PS), que nos últimos 50 anos tinha sido a força dominante, viu o apoio ruir a valores embaraçosos, podendo ainda ser ultrapassado pelo Chega no que toca a número de deputados. Este resultado deve-se sobretudo à incapacidade de compreender as frustrações do eleitorado, alheado das suas “bolhas” e preocupações com a estabilidade de um governo que eles próprios quiseram derrubar. Para ajudar a este cenário aterrador, várias foram os comentadores que se apressaram a apontar todos os dedos das duas mãos, lastimando os resultados, a Pedro Nuno Santos, responsabilizando-o pela “catástrofe”, esquecendo-se que o mesmo PS, com a governação de António Costa, e se quisermos ser mais profundos, com a governação de Sócrates, já tinha lançado as sementes da sua própria decadência. O resultado destas eleições é um indicador claro do cansaço dos portugueses com o modelo polí...

Portugal vira à direita: esquerda sofre derrota histórica

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  Os resultados das eleições legislativas de 18 de maio de 2025, assinalam uma mudança sísmica no panorama político em Portugal. Uma derrota inequívoca e severa dos partidos de esquerda, nomeadamente do Partido Socialista (PS), uma força dominante nos últimos 50 anos, que viu o seu apoio erodir-se significativamente, revelando uma enorme desconexão entre o partido e a sua bolha e as reais preocupações do eleitorado que se depara com dificuldades reais no seu dia-a-dia. Um Bloco de Esquerda (BE) que ficou reduzido à sua insignificância, uma deputada eleita por Lisboa. Depois da oportunidade desperdiçada na “Geringonça”, onde podia ter exigido o que apregoa, mas preferiu prestar vassalagem a António Costa, nunca mais ninguém acreditou nas palavras das suas líderes. A CDU mantém-se ligada à máquina, apenas com 3 deputados eleitos por Lisboa, Porto e Setúbal, tendo perdido os eleitores diretamente para o Chega. Na verdade, a experiência da “geringonça”, a coligação de esquerda que gove...

A Supremacia Intelectual da Esquerda. Contradições e Intolerância!

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  Cada vez mais é percetível que a chamada supremacia intelectual da esquerda vai-se revelando como uma contradição em si mesma. A grande parte dos autoproclamados defensores da tolerância e o diálogo, acabam por demonstrar-se intolerantes sempre que confrontados com ideias que divergem das que defendem. Este paradoxo é visível em variadíssimas dimensões do debate público atual. Sempre que confrontados com opiniões contrárias, é comum observarmos não uma contra-argumento, mas sim ataques pessoais que visam, apenas e só, tentar desqualificar o interlocutor. Portanto, um debate que deveria ser centrado em ideias, acaba por se transformar numa tentativa de silenciar através da tentativa de deslegitimar oponente. Ora, não é difícil perceber que esta prática esbarra no argumento de diálogo aberto e a tolerância que costuma estar no centro do discurso progressista. Um dos caos paradigmáticos desta situação é o caso da primeira-ministra italiana Giorgia Meloni. Antes de ter ganho as eleiç...