Portugal vira à direita: esquerda sofre derrota histórica

 



Os resultados das eleições legislativas de 18 de maio de 2025, assinalam uma mudança sísmica no panorama político em Portugal. Uma derrota inequívoca e severa dos partidos de esquerda, nomeadamente do Partido Socialista (PS), uma força dominante nos últimos 50 anos, que viu o seu apoio erodir-se significativamente, revelando uma enorme desconexão entre o partido e a sua bolha e as reais preocupações do eleitorado que se depara com dificuldades reais no seu dia-a-dia.


Um Bloco de Esquerda (BE) que ficou reduzido à sua insignificância, uma deputada eleita por Lisboa. Depois da oportunidade desperdiçada na “Geringonça”, onde podia ter exigido o que apregoa, mas preferiu prestar vassalagem a António Costa, nunca mais ninguém acreditou nas palavras das suas líderes.


A CDU mantém-se ligada à máquina, apenas com 3 deputados eleitos por Lisboa, Porto e Setúbal, tendo perdido os eleitores diretamente para o Chega.


Na verdade, a experiência da “geringonça”, a coligação de esquerda que governou o país, não conseguiu traduzir a teoria em ações políticas com resultados palpáveis que fizessem com que os cidadãos confiassem neles. O resultado está aí.


Ao mesmo tempo, o partido Chega, surgiu como um partido político de peso, conquistando um número expressivo de votos e consolidando a sua posição como a segunda maior força no parlamento, a confirmar-se o resultado da Europa e fora da Europa. Mas engane-se quem acha que este resultado é um fenómeno isolado. Não é. É, sim, um reflexo de uma tendência mais ampla observada em toda a Europa, onde partidos de direita têm vindo a ganhar terreno. Apesar das conotações de extrema-direita que lhe são atribuídas, o Chega apresenta-se como uma direita popular que atrai eleitores desiludidos com o sistema político tradicional. Não vale a pena continuar a tentar meter medo com esta direita, pois, os portugueses, estão é fartos da esquerda que vive do protesto e que não é capaz de concretizar nenhuma medida que apregoa como se verificou no tempo da Geringonça. Nessa época, o que soube fazer com a escola é paradigmático desse protesto inconsequente. Fim da exigência, do rigor, com a eliminação dos exames, aumento da indisciplina, escola dos direitos e poucos deveres, da farsa da inclusão sem meios, das aprendizagens mínimas, da retirada do esforço e empenho da equação.


Um indicador claro do cansaço dos portugueses com o modelo político que não consegue gerar crescimento económico e progresso social é a tomada dos bastiões que antes eram comunistas e hoje são do Chega.


Com este resultado sobretudo a Aliança Democrática (AD) mas também a Iniciativa Liberal (IL) enfrentam um enorme desafio, o de interpretar estes resultados e iniciar o diálogo possível e construtivo com o Chega. Não é possível ignorar a vontade dos portugueses que foi expressa nas urnas. Isso seria um erro estratégico, pois o Chega representa uma parte significativa do eleitorado, mais precisamente 1.345.575 de eleitores, que anseia por mudanças e acredita que estas podem ser concretizadas com a cooperação do Chega.


Perante estes resultados há que fazer um esforço por parte de toda a direita em acomodar algumas bandeiras do Chega e contar com este partido nas soluções de governação, negociando, conversando, para responder às expectativas de uma parcela muito considerável da população portuguesa. Temos a experiência de outros países, na Europa, a Itália, na América, a Argentina, como aliás escrevi aqui, que demonstram que as políticas de direita, mesmo que apresentadas pelos media como controversas e até perigosas, podem produzir resultados positivos.


Nesse sentido, é importante saber se Ventura quer fazer parte da solução e cooperar no sentido de encontrar soluções para os problemas reais dos cidadãos ou se prefere manter o discurso mais radical e negar essa negociação?

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