A escola portuguesa: entre a promessa e o fracasso
Desde o 25 de Abril, a escola portuguesa vive uma promessa contraditória. Ser simultaneamente mais igual, mais democrática e mais exigente. Meio século depois, essa promessa continua por cumprir. O sistema educativo entre o 1.º e o 12.º ano evoluiu para um modelo que certifica mais do que qualifica, que diploma sem verdadeiramente formar, e que, em nome de uma certa ideia de inclusão, foi gradualmente esvaziando o sentido de responsabilidade de alunos, famílias e da própria escola. Esta não é uma falha imputável apenas à esquerda ou à direita. É o resultado de décadas de opções políticas convergentes que, sob diferentes retóricas, produziram o mesmo efeito. Uma escola de mínimos. Desde 1976, a educação portuguesa foi administrada por governos minoritários, coligações instáveis e pactos de legislatura curta. O PS liderou o executivo por mais de duas décadas, o PSD por cerca de oito a nove anos, muitas vezes em coligação. Nenhum dos dois campos construiu uma visão de longo prazo pa...