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O suicídio assistido da democracia e o silêncio dos cúmplices

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É absolutamente incompreensível e roça o delírio coletivo que a classe política continue a assobiar para o lado perante o elefante que ocupa a sala de estar da democracia portuguesa pois não existe um único deputado ou governante que desconheça a fraude a céu aberto que se passeia nas nossas estradas e vive nos nossos bairros mas escolhem o silêncio como estratégia de sobrevivência. O retrato que a Pordata nos devolve é o de uma nação esquizofrénica que decidiu institucionalizar a mentira como método de gestão económica e social ao criar um sistema fiscal que funciona como uma máquina de triturar a classe média transparente enquanto serve de guarda-costas a uma elite que domina a arte do ocultismo contabilístico. A perversidade começa na própria estrutura do trabalho e do conhecimento uma vez que criámos um paradoxo europeu único onde quem sabe mais obedece a quem sabe menos e temos hoje uma força laboral onde mais de um terço dos trabalhadores possui ensino superior e injeta no mercad...

Apagam o Natal em nome da inclusão

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  Quando um agrupamento como o de José Maria dos Santos, no Pinhal Novo, decide eliminar por completo qualquer cenário natalício das fotografias escolares para que ninguém “se sinta excluído”, não está a incluir minorias, está a retirar à maioria o direito a ver reconhecida a sua própria cultura num espaço que é, por definição, comum. A direção garante que o valor emocional das fotografias “se mantém intacto”, mas o incómodo dos pais mostra precisamente o contrário, a neutralidade visual não é neutra, é uma escolha que apaga a marca cultural da quadra em nome de uma sensibilidade abstrata que ninguém concretamente reivindicou. A tolerância não consiste em esconder o Natal para poupar eventuais suscetibilidades de quem veio viver para um país maioritariamente cristão secularizado, consiste em esperar que quem chega reconheça que entra numa casa com história e rituais próprios e que os respeite, sem que isso implique que adote a fé ou os costumes. Transformar o calendário e o espaço ...

A inversão do ónus da prova transforma o professor em réu

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  Vivemos tempos estranhos. O professor entrou na sala de aula e tornou-se suspeito até prova em contrário. Basta uma queixa, muitas vezes anónima, e lá vai ele ter de se explicar, de se defender, de provar que não fez o que o acusam de ter feito. A lógica virou do avesso. Já não é quem acusa que tem de fundamentar a acusação, é o acusado que tem de demonstrar a sua inocência. E isto, convenhamos, é uma brutalidade jurídica. O Código Civil não deixa margem para dúvidas. O artigo 342.º diz o essencial, quem invoca um direito tem de provar os factos em que se baseia. Traduzindo, se me acusam de algo, cabe a quem me acusa apresentar provas, não a mim provar que sou inocente. Se houver dúvida, se não se conseguir apurar a verdade, a questão resolve-se contra quem devia ter provado, ou seja, contra o acusador. É elementar. É assim que funciona o Direito. Ou era. Porque o que acontece hoje, no contexto escolar, é precisamente o contrário. O professor recebe a queixa, é chamado a dar expl...

Presidenciais 2026: Carreiristas da Política Vs Quem Conhece a Vida Real

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  Portugal encontra-se novamente numa encruzilhada decisiva. As eleições presidenciais de 18 de janeiro de 2026 trazem ao palco um conjunto de oito candidatos que, de formas distintas, representam visões diferentes sobre o que deve ser a liderança do país. Entre políticos de carreira que nunca saíram da bolha de Lisboa, militares que desafiaram o status quo, e vozes que prometem mudança mas acabam por soar a mais do mesmo, os portugueses terão de fazer uma escolha fundamental: queremos continuar com os mesmos rostos que sempre geraram os mesmos problemas, ou estamos dispostos a arriscar numa liderança diferente? Comecemos por Luís Marques Mendes que se apresenta aos portugueses como o candidato da experiência, da estabilidade, da previsibilidade. Nascido em Azurém, Guimarães, em 1957, licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Marques Mendes construiu toda a sua identidade em torno da política. E é precisamente aqui que reside o problema fundamental...

Vencimentos: estudar deixou de compensar

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  Em alguns casos é cada vez menos compensatório. Vou explicar o meu raciocínio que corrobora a afirmação anterior. Vamos aos números, que não mentem. Em 2015, o salário mínimo em Portugal era 55% do salário médio. Em 2024, já representava 68%. Subiu 13 pontos percentuais em menos de uma década. Portugal tornou-se o país da Zona Euro onde o salário mínimo está mais perto do salário mediano. À primeira vista, parece positivo. Afinal, estamos a subir o salário mais baixo, certo? O problema é que estamos a fazê-lo sozinhos. O salário médio não acompanhou. E isto não é um pormenor técnico – é um problema gravíssimo que está a destruir a classe média portuguesa. O Governo já anunciou: salário mínimo vai para 920 euros em 2026 e 1.100 euros em 2029. Ótimo. Ninguém discute isso. Mas pergunto: e depois? E os que ganham 1.200? E os que ganham 1.500? E os que estudaram, se qualificaram, têm anos de experiência? Vão ficar a ver navios enquanto o mínimo lhes come terreno mês após mês? Desde 20...

A indisciplina nas escolas

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  Segundo o maior inquérito internacional realizado pela OCDE com professores do ensino obrigatório, um em cada três professores em Portugal queixa-se do ruído e desordem, perdendo agora mais tempo a manter a disciplina em sala de aula do que em 2018. Os números não mentem, mas também não contam toda a história. A verdade é que a indisciplina se tornou o elefante na sala que todos veem, mas poucos querem enfrentar com a seriedade que o problema merece. Os vários incidentes de violência nas escolas portuguesas, e aqueles que nem sequer chegam aos noticiários, não são anomalias isoladas. São sintomas de uma doença que há muito corrói o nosso sistema educativo. A indisciplina nas escolas portuguesas tornou-se efetivamente um problema estrutural que compromete o ambiente de aprendizagem e o bem-estar de alunos e professores. E enquanto continuarmos a tratá-los como casos pontuais, estaremos apenas a adiar o inevitável: o colapso completo da autoridade pedagógica e, com ela, da própria ...

O argumento que a esquerda não quer ouvir

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Não há mais dúvidas. Há pelo menos três grandes líderes mundiais que começam a fazer história, mesmo contra todas as narrativas e preconceitos ideológicos que têm dominado boa parte das redações dos media ocidentais. Enquanto comentadores de esquerda se apresentam a comentar cada resultado, cada vitória, nervosamente, três líderes mundiais estão a fazer algo impensável. Estão a ter sucesso. Javier Milei na Argentina, Donald Trump nos Estados Unidos e Giorgia Meloni na Itália. Engane-se quem pensa que são apenas três governantes conservadores, são, isso sim, três pedradas no charco contra décadas de ortodoxia progressista. E isso, para quem controla boa parte da comunicação social, tem sido um problema existencial. Contra todas as previsões nas sondagens e contrariando a maioria dos comentadores mundiais, na Argentina, um país que parecia condenado a repetir eternamente o mesmo ciclo de populismo, inflação galopante e miséria voltou a vencer Milei. Havia assumido o poder em dezembro de ...