O crepúsculo da razão e a nova inquisição identitária
Caminhamos a passos largos para um abismo civilizacional onde a narrativa substituiu o facto e o dogma identitário atropelou a ciência mais elementar. O que hoje designamos por wokismo não é mais do que uma deriva negacionista e autodestrutiva da nossa cultura que se infiltra nas universidades e no debate público com a subtileza de uma peste silenciosa. Esta ideologia pretende nada menos do que arrasar os fundamentos racionais e éticos da modernidade europeia em nome de uma suposta justiça social que de libertadora nada tem.
É inegável que assistimos a uma tentativa deliberada de reescrever a História ao sabor das preocupações do momento ignorando o espírito da época e a mentalidade de quem nos precedeu. Querem impor-nos uma autoflagelação constante pelos erros do passado como se a escravatura ou o imperialismo fossem males exclusivos do Ocidente. Trata-se de uma falácia sem fronteiras que ignora as chacinas de Gengis Khan ou o tráfico turco-árabe para focar apenas no fardo do homem branco que passou a ser visto como o fardo do mundo.
Esta nova religião laica criou um sistema moral fechado onde o pecado já não é individual mas sim cultural e genético. Na lógica destes novos fanáticos nascer branco é carregar um pecado original indelével que não conhece redenção ou batismo. É o triunfo do relativismo moral que condena o homem branco e heterossexual ao lugar de réprobo sem qualquer possibilidade de expiação. Estão a transformar a culpa histórica num mecanismo de controle social que divide as comunidades entre opressores e oprimidos com base em características físicas e não no mérito ou no caráter.
A ideologia de género é talvez o expoente máximo desta loucura medonha que nos rodeia. Querem convencer-nos de que o corpo com que nascemos nada interessa e que a biologia é uma ciência patriarcal e reacionária. A vontade sobrepõe-se à realidade e a consciência prevalece sobre o corpo numa versão moderna do misticismo medieval. Chegamos ao ponto de ver crianças a serem ajudadas a desconstruir o seu sexo biológico sob o pretexto de não serem condicionadas pela família ou pela sociedade enquanto a linguagem é policiada como se fosse um campo minado ético.
O perigo é que esta estratégia de desconstrução segue um roteiro bem definido que visa destruir a família a religião a propriedade privada e a própria nação. É uma marcha sistemática que utiliza causas legítimas como o ambientalismo ou a luta contra o racismo para esconder uma agenda política radical que pretende neutralizar o pensamento crítico. A academia deixou de ser um espaço de exploração para passar a ser um reduto confirmatório onde o saber é filtrado por uma ortodoxia informal ditada pelas redes sociais e pelo politicamente correto.
Perante esta ofensiva não podemos continuar a adotar uma postura passiva ou complacente. Os governos desde a social-democracia até à direita popular têm a responsabilidade inadiável de ser os defensores da cultura ocidental e dos valores herdados de Jerusalém, Atenas e Roma. É fundamental promover um pluralismo intelectual real e reformular currículos para eliminar o dogmatismo que hoje impera. Ou reagimos com coragem analítica e defendemos a liberdade de pensar quando pensar incomoda ou permitiremos que o pensamento crítico morra em silêncio sob o peso desta nova ditadura moralista.

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