Ventura é o filho legítimo de 50 anos de fracasso!
Os resultados das eleições presidenciais trazem-nos uma leitura que vai muito para além da simples aritmética eleitoral, embora os números sejam, como sempre, teimosos. Se olharmos para os gráficos, percebemos que António José Seguro pintou o mapa de cor-de-rosa, vencendo em 18 dos 20 distritos. No entanto, esta vitória na primeira volta esconde uma realidade que não pode ser ignorada: a direita, no seu conjunto, tem a maioria. Se somarmos os votos de André Ventura, Cotrim de Figueiredo e Marques Mendes, atingimos os 50,8%, contra os 35,5% da soma dos candidatos à esquerda. O que falhou então? A esquerda, que parecia fragmentada com vários candidatos, acabou por ser pragmática e reunir os votos em Seguro, que obteve mais 312 mil votos do que o próprio PS nas legislativas. A direita, por sua vez, dispersou-se. Não critico esta dispersão. Em eleições presidenciais, o voto deve ser livre e não arregimentado aos partidos. É salutar que assim seja, pois, o Presidente não é um líde...