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A mostrar mensagens de outubro, 2026

Entre o stress e o desprezo: porque é que ninguém quer ser professor em Portugal?

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  Há anos que escrevo que o problema da escola pública portuguesa não é falta de diagnóstico. O Education at a Glance 2026 chega agora com a chancela da OCDE e diz, em números, o que quem dá aulas repete há muito tempo. Mas um diagnóstico só vale se levar a decisões, e por isso deixo no fim algumas propostas. Começo pelo respeito. Em junho escrevi que a desvalorização do professor não é apenas salarial, é simbólica e quotidiana, e fez da autoridade pedagógica algo que qualquer um pode contestar (A escola pública não precisa de pena. Precisa de respeito). O relatório mede isso. Só 9% dos professores portugueses concordam que a profissão é valorizada pela sociedade, quando a média da OCDE é 22%. Estamos entre os países com valores mais baixos, ao lado da França (4%) e da Eslovénia (7%). No 3.º ciclo, a satisfação com o salário é de 13% e a satisfação com as condições de emprego é de 39%. A OCDE interpreta estes dois números como sinal de um descontentamento mais amplo com a profissão...

Os exames de 2026 ensinam-nos mais do que os culpados que procurámos

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  Durante semanas, a conversa pública procurou responsáveis: os agrafos, os professores que não quiseram classificar, as escolas que se atrasaram, os diretores que falharam. Há agora dois documentos que permitem olhar para o que aconteceu com mais rigor. O relatório do Júri Nacional de Exames (JNE/EduQA) e o relatório de apoio técnico da Deloitte. Lidos lado a lado, nenhum deles aponta esses fatores como causa central. Descrevem outra coisa, menos mediática e mais útil. Um sistema novo, posto à prova à escala nacional sem os controlos de que precisava. Convém começar pelo que bate certo. Os números de inscrições, presenças e provas realizadas coincidem, exame a exame, nos dois documentos (478 705 inscrições e 410 894 presenças nas três fases). A divergência não está na contagem, está na narrativa. E convém dizer, desde já, o que os relatórios não fazem: nenhum deles examina a hipótese de boicote por parte de classificadores, nem para a confirmar nem para a desmentir. O que se segue...