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A mostrar mensagens de maio, 2026

António Costa - O Cinismo de Quem Criou o Problema

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  Há momentos em que a audácia política choca de tal forma com os factos que só pode ser interpretada como um cálculo frio sobre a memória coletiva, ou a falta dela. Num discurso perante o Comité Económico e Social Europeu em Bruxelas, António Costa, atual presidente do Conselho Europeu e ex-primeiro-ministro de Portugal durante oito anos, declarou ser "inaceitável" que jovens portugueses tenham de gastar "100% do salário" durante duas ou três décadas para conseguir comprar uma casa. Uma afirmação verdadeira. Uma afirmação que ele deveria ter feito quando tinha poder para mudar o problema. Uma afirmação que, dita por ele, no papel que ocupa agora, é um insulto a cada português que viveu os anos da sua governação. Comecemos pelo essencial. Os dados. Desde 2015, exatamente o ano em que António Costa chegou ao poder, os preços das casas em Portugal subiram 180%, a segunda maior valorização de toda a União Europeia segundo o Eurostat. Não é coincidência de calendário. É...

A escola portuguesa: entre a promessa e o fracasso

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  Desde o 25 de Abril, a escola portuguesa vive uma promessa contraditória. Ser simultaneamente mais igual, mais democrática e mais exigente. Meio século depois, essa promessa continua por cumprir. O sistema educativo entre o 1.º e o 12.º ano evoluiu para um modelo que certifica mais do que qualifica, que diploma sem verdadeiramente formar, e que, em nome de uma certa ideia de inclusão, foi gradualmente esvaziando o sentido de responsabilidade de alunos, famílias e da própria escola. Esta não é uma falha imputável apenas à esquerda ou à direita. É o resultado de décadas de opções políticas convergentes que, sob diferentes retóricas, produziram o mesmo efeito. Uma escola de mínimos. Desde 1976, a educação portuguesa foi administrada por governos minoritários, coligações instáveis e pactos de legislatura curta. O PS liderou o executivo por mais de duas décadas, o PSD por cerca de oito a nove anos, muitas vezes em coligação. Nenhum dos dois campos construiu uma visão de longo prazo pa...

A Memória Curta e o Sectarismo Cómodo

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  No passado dia 6 de maio, o Agrupamento de Escolas de Santa Maria dos Olivais, na Escola Secundária António Damásio, teve a honra de receber a visita do ex-Primeiro-Ministro Dr. Pedro Passos Coelho. A ocasião inseria-se na disciplina de opção de Ciência Política do 12.º ano, uma iniciativa que temos orgulho em promover e que tem trazido à nossa escola políticos de todos os quadrantes político-partidários, num espírito de abertura, pluralismo e estímulo ao pensamento crítico. O tema debatido foi "Portugal 2040: que papel para os jovens na construção do País". Um tema sério, pertinente,  que merecia ser recebido com a seriedade que lhe é devida. Publiquei a informação na minha página de Facebook. E comecei a ler os comentários. Não foi uma leitura animadora. Entre os vários comentários que surgiram, destaco alguns, pela sua representatividade: "Será que Passos Coelho mandou os jovens emigrar?" "Educação aberta ao mundo..." "Bem... Já nos mandara...