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A mostrar mensagens de agosto, 2026

"Tenho sempre comigo a chave do carro no bolso"

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  Há uma frase que aprendi com uma pessoa que estimo, uso com frequência e orgulho: "Tenho sempre comigo a chave do carro no bolso." Não é uma frase sobre carros. É sobre liberdade. Significa que o meu sustento depende do meu trabalho, da minha competência e do meu esforço, nunca da boa vontade de um chefe de gabinete, de um presidente de concelhia ou de um secretário-geral. Significa que, se um dia me disserem para me calar, eu ponho a chave na ignição e vou-me embora. Ninguém me deu o que tenho. Ninguém pode, por isso, tirar-me a voz. Deparo-me com muita gente que gostava de dizer o mesmo. Mas não pode. E o motivo é um problema estrutural, crónico, que atravessa décadas e cores partidárias. A dependência de milhares de pessoas, muitas delas insuspeitas, em relação à boa vontade de estruturas partidárias para conseguirem emprego, contrato, promoção ou simplesmente não perder o que já têm. Isto não é impressão, nem amargura de café. Tem nome na ciência política e é estudado h...
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  Portugal lidera, com uma folga que deveria envergonhar qualquer decisor político, o ranking europeu de tempo semanal passado em contexto escolar. Com 38 horas semanais para crianças entre os seis e os 11 anos, largamente acima da média comunitária de 31,5 horas, somos o país que melhor sabe "estacionar" os seus filhos. A conclusão é de uma clarividência incómoda e, para quem ainda preserva alguma lucidez pedagógica, profundamente alarmante. Mas antes de continuar, é indispensável dizer o que esta estatística esconde, e que a torna ainda mais grave do que parece à primeira leitura. "Contexto escolar" não significa aulas. Não significa instrução, não significa aprendizagem estruturada, não significa sequer atividade pedagógica supervisionada com qualidade. Significa simplesmente que a criança está dentro do recinto escolar. E aí reside o engano que convém a todos, ao Estado, aos municípios, manter na sombra. Contamos como "tempo escolar" horas de ATL, hora...

O Estado que não cumpre a palavra dada

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  Há uma imagem que resume o país! Em pleno Verão de 2026, com os reservatórios de Almada a esvaziarem-se semana após semana até chegarem a cerca de 10% da sua capacidade, foi preciso que os moradores da Costa da Caparica, da Sobreda e dos Capuchos passassem a organizar a vida à volta de baldes e garrafões, e que mais de quatro mil pessoas assinassem uma petição, para que a Câmara Municipal ativasse, só a 6 de julho, um plano de contingência que já devia estar a funcionar há semanas. A autarquia, liderada por Inês de Medeiros, garante que o problema não foi de fugas nem de infraestruturas, foi, disse, a procura a superar a água que os furos conseguem captar. Pode ser verdade. O que não deixa de ser verdade também é que, entre o momento em que os níveis começaram a cair e o momento em que alguém decidiu agir, houve gente sem água para tomar banho, cozinhar ou lavar a loiça, durante semanas, num concelho da área metropolitana de Lisboa, no ano de 2026. Não em nenhuma aldeia esquecida...