Lisboa: Quatro Anos de Transformação
Passaram
quatro anos desde que, em 2021, Lisboa viveu uma surpresa eleitoral que poucos
esperavam. Carlos Moedas e a coligação Novos Tempos conseguiram derrotar 14
anos de governação socialista. Foi uma vitória que apanhou muitos desprevenidos
– sobretudo os analistas políticos e até alguns dentro dos próprios partidos da
coligação. As sondagens, como começa a ser hábito, apontavam noutra direção, mas os resultados
mostraram que a política tem sempre margem para o inesperado. O inesperado
aconteceu e Carlos Moedas foi nos últimos quatro anos o nosso presidente.
Mas,
como bem se devem lembrar, a mudança não foi recebida sem algum ceticismo.
Havia quem temesse um retrocesso nas políticas, sobretudo nas ambientais e de
mobilidade, que vinham sendo implementadas. Mas, com assertividade e sapiência,
Moedas rapidamente esclareceu a sua posição: não era contra as ciclovias nem a
mobilidade verde, bem pelo contrário. A diferença estava na abordagem. Em vez
de imposições abruptas, proibições bacocas e poucas alternativas, apostou numa
transição gradual, negociadas com os lisboetas e por sua vez mais consensual.
Um exemplo paradigmático dessa transição foi a redução de 50% no preço do
estacionamento da EMEL e a introdução dos primeiros 20 minutos gratuitos,
medidas que deram mais flexibilidade aos lisboetas.
Passados
quatro anos, quase que não precisa fazer campanha. Os números falam por si. Nesta altura, são mais de 105.000 pessoas que
beneficiam da gratuitidade dos transportes públicos, jovens e séniores. A
cidade conseguiu atrair 82 empresas tecnológicas e 16 unicórnios, conseguindo com isso criar mais de 16.000
oportunidades de emprego para os jovens. Uma medida extraordinária se
considerarmos que há cada vez mais jovens a procurar alternativas fora do país.
Na
área da saúde, implementou-se um plano gratuito para maiores de 65 anos e
mamografias gratuitas para mulheres com menos de 50 anos. Na habitação, foram
entregues mais de 2.700 chaves e apoiadas 1.200 famílias no pagamento da renda,
representando o maior investimento habitacional de sempre na capital, a par
disso a eliminação do IRS municipal também aliviou o orçamento das famílias
lisboetas.
Perguntará.
Correu tudo sobre rodas? Não. Há sempre margem para fazer mais e melhor, mas
aqui, a oposição na Assembleia Municipal, por vezes, dificultou a implementação
de algumas medidas, criando bloqueios que atrasaram alguns projetos. Preferindo
a partidarite aos Lisboeta. Bem sabemos que, infelizmente, é uma realidade
comum na política autárquica quando há maiorias relativas, mas é inegável que
condicionou o ritmo das transformações.
Mas
a ambição, da agora coligação Por Ti, Lisboa, continua alta. Está previsto começar
com o maior projeto habitacional de sempre, aproveitando os 250 hectares que
estiveram décadas bloqueados, por inoperância do PS, em zonas como a Quinta do
Ferro, o Vale de Chelas e o Vale de Santo António. Na área da segurança também
está na agenda o reforço da polícia municipal e o regresso dos
guardas-noturnos.
Um
dos desafios mais interessantes, e desafiante, será tentar devolver os bairros
históricos aos lisboetas. Não podemos
negar que o turismo é necessário e trouxe prosperidade, mas também, não é menos
verdade que contribuiu para que muitos jovens se vissem obrigados a procurar
casa longe do centro. Por isso, o objetivo da medida passa por criar mais
habitação acessível nas zonas centrais, permitindo que as novas gerações possam
viver onde cresceram, na cidade de Lisboa.
Em
cima da mesa da propostas para a melhora da cidade estão os serviços básicos,
nomeadamente a reestruturação da higiene urbana, a modernização da frota da
Carris, com mais linhas e veículos mais limpos, e uma desburocratização dos
serviços autárquicos que os possa tornar mais próximos dos cidadãos.
Olhando
para estes quatro anos, não há quem não reconheça que houve uma tentativa
genuína de fazer diferente. Acredito que nem todos concordarão com todas as
decisões, é natural numa democracia. Mas os resultados concretos, já
enunciados, são uma realidade que sugerem uma gestão focada em resolver
problemas práticos do dia a dia, resolver os problemas das pessoas.
Não
há volta a dar, se quiser que Lisboa continue a ser uma cidade em transformação,
terá de apostar na continuidade do atual presidente. Só assim podemos saber se
esta trajetória se mantém e se os projetos mais ambiciosos saem do papel. Uma
coisa é certa: depois de décadas de uma certa forma de fazer política na
capital, com a inépcia do PS, estes quatro anos mostraram que é possível
experimentar abordagens diferentes. Cabe aos lisboetas decidir se querem
continuar por este caminho ou explorar outras alternativas. A democracia é
mesmo assim!
*O
autor é candidato autárquico pela coligação Por Ti, Lisboa.
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