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A mostrar mensagens de outubro, 2025

Perder a aura

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  Confesso que quando ouvi as declarações do Ministro da Educação sobre os professores perderem a "aura" ao manifestarem-se, também me sobressaltei. A primeira reação foi a mesma de muita gente: "mas que disparate é este?". Mas depois de ler, reler e pensar melhor no assunto, acho que vale a pena olhar para isto de outra maneira. Vamos lá ver. O que é que Fernando Alexandre quererá ter dito, realmente? Reconheceu que os professores são respeitados, que têm autoridade, que sabem. E depois acrescentou aquela frase infeliz sobre perder a aura nas manifestações. Ora, eu pergunto. Não estará ele simplesmente a constatar o óbvio? Que há uma parte da sociedade portuguesa que, infelizmente, olha de lado para quem se manifesta? Que há gente que acha que protestar é coisa de mal-agradecidos ou preguiçosos? O problema não é o que o ministro disse. O problema é que ele tem razão quanto ao facto de haver essa perceção. Só que quem está errado não são os professores, é a sociedad...

Quando a ausência de limites se torna fatal

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Na tarde de terça-feira, em Vagos, um rapaz de 14 anos disparou sobre a mãe, Susana Gravato, vereadora da Câmara Municipal. A notícia chocou o país, não apenas pela brutalidade do ato, mas porque nos obriga a olhar para algo que teimamos em ignorar: estamos a criar uma geração sem limites, sem consequências, sem noção do que é inaceitável. Este caso extremo não surgiu do nada. É o culminar de anos de permissividade, de desresponsabilização parental, de uma sociedade que tem medo de dizer "não" às crianças. E as escolas têm sido o palco privilegiado onde este drama se desenrola diariamente, num crescendo que já ninguém consegue controlar. Basta falar com qualquer professor para perceber a dimensão do problema. As salas de aula tornaram-se campos de batalha onde impera o desrespeito, a agressividade, a total ausência de regras. Os alunos gritam, insultam, ameaçam. E os pais? Muitos deles surgem na escola não para corrigir os filhos, mas para os defender, para culpar os professo...

Domingo à noite, o mapa mudou

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  Há noites eleitorais que são apenas mais uma volta ao ciclo. Ganham uns, perdem outros, daqui a quatro anos logo se vê. Esta não foi uma dessas noites. O que aconteceu domingo mudou o mapa do poder local de forma que vai deixar marca nos próximos anos. O PSD ganhou. Não ganhou “bem”, ganhou mesmo. Lisboa, Porto, Gaia, Sintra – são cidades que não se conquistam por acaso. E quando se junta a isto Guimarães, Beja, Nazaré, percebe-se que não estamos a falar de um bom resultado, estamos a falar de uma reconfiguração. Carlos Moedas fez história em Lisboa. Duas vitórias seguidas para o PSD na capital é coisa que não se via há cinquenta anos. Ganhou bem, aumentou votos, elegeu mais um vereador. Acabou com quinze anos de domínio socialista. É preciso ser-se muito teimoso para não chamar a isto uma grande vitória. Mas fico a pensar: e se tivesse ido a todas as freguesias? Mesmo àquelas onde sabia que ia levar uma tareia? A maioria absoluta estava ali, a um ou dois vereadores de distância....

A gestão escolar e os verdadeiros desafios da escola portuguesa

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  O atual modelo de gestão escolar tem estado, novamente, na agenda política, devido à intenção do Governo de criar um estatuto do diretor. Nesse sentido ouve-se e lê-se cada vez mais uma polarização entre os defensores da gestão democrática e os apoiantes da profissionalização das lideranças escolares. Para contribuir para um debate mais informado, onde deixemos de parte as perceções e analisemos seriamente, sustentado em dados, farei uma análise ao estudo abrangente da Fundação Semapa – Pedro Queiroz Pereira, que ouviu mais de 4.000 professores, diretores e coordenadores, e que nos oferece uma perspetiva mais aprofundada sobre esta questão. Os professores, quando questionados sobre a qualidade da gestão das suas escolas, foram perentórios, 94% classificaram-na como positiva ou muito positiva. Este resultado não é marginal nem ambíguo – é esmagador. Apenas 1%, sim leu bem, 1%, considera a gestão muito negativa e 5% avaliam-na como negativa. Ou seja, apenas 6% dos inquiridos dão no...

Experiência Política: Quando o Discurso Esconde a Falta de Ideias

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A candidatura de Luís Marques Mendes (LMM) à Presidência da República tem-se caracterizado por uma narrativa obsessiva e monotemática. Atente-se às últimas declarações de LMM: "Na escolha de um candidato presidencial contam sobretudo três coisas muito simples: experiência, independência e capacidade de fazer consensos", afirma o candidato, acrescentando que "a presidência da República é um cargo político. Não há presidência sem política. Portanto aqui, a experiência conta." A insistência neste argumento revela não só uma visão empobrecida da política, mas, sobretudo, uma ausência preocupante de propostas e ideias concretas para o país. Quando Aristóteles definiu o ser humano como animal político, estava a afirmar algo fundamental que, pelos vistos, LMM parece ter esquecido. Todos somos política. A política não é uma profissão ou um conjunto de cargos acumulados, é a própria condição da existência em comunidade, o exercício da deliberação sobre o bem comu...