Happy Schools: Precisamos Falar Sobre o que Realmente Importa




O conceito de "happy school" ganhou popularidade, mas a sua aplicação prática levanta questões. Muitas vezes, a procura da felicidade na escola resume-se a ações superficiais, esquecendo o bem-estar de todos.

É comum ver escolas a adotarem modismos sem pensar no seu contexto, como hortas pedagógicas, projetos e mindfulness. Esta abordagem ignora a voz dos professores e resulta em fracasso. 

Uma verdadeira "happy school" exige uma visão holística que englobe todos os aspetos da comunidade escolar.

Para criar uma escola feliz, é preciso ir além das aparências e focar em pilares como a valorização das pessoas, processos com significado, princípios sólidos e espaços acolhedores. 

Professores com autonomia e voz ativa, processos construídos em conjunto e espaços pensados em colaboração com a comunidade são fundamentais. Escolas felizes baseiam-se em valores, não em modismos passageiros.

Mas como saber se uma escola é realmente feliz? Uma boa forma é através de conversas informais com quem lá trabalha. Os professores, funcionários e alunos podem dar uma perspetiva autêntica sobre o ambiente escolar.

Para alcançar a verdadeira felicidade na escola, é preciso abandonar projetos descontextualizados, ouvir os professores, investir em mudanças profundas e criar projetos que atendam às necessidades da comunidade. A inovação surge de dentro da escola, através de um processo participativo. É hora de repensar o conceito de "happy school" e construir escolas que valorizem as pessoas, respeitem os processos naturais de desenvolvimento e criem espaços acolhedores. O caminho para uma escola feliz começa pela escuta, respeito e valorização de todos.


Alberto Veronesi

Comentários

  1. "Escolas felizes baseiam-se em valores, não em modismos passageiros." 👏🏻

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  2. Desta vez até concordo. Embora pudesse ter focado a questão da democracia na gestão das escolas. Entre outros, como por exemplo a ADD.

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  3. "O caminho para uma escola feliz começa pela escuta, respeito e valorização de todos." Certíssimo! Sem esquecer algo de fundamental, como bem sabes: a requalificação de grande parte das nossas escolas (factor fundamental para prevenir a indisciplina e promover um bom clima escolar), que devem ser devidamente apetrechadas do ponto de vista das instalações, edifícios, equipamentos e, obviamente, dos recursos humanos adequados e necessários para não deixarmos ninguém para trás e termos um ensino de qualidade! Aproveito para te deixar um forte abraço e dar-te os parabéns por este teu novo espaço de reflexão sobre a Escola Pública e todos os que lhe dão vida, no fundo, sobre o presente e o futuro do nosso país!

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  4. A "Happy School" é (mais) uma fantasia. Happy, significa feliz. Com conhecimento de causa, o Staff-Professores&Lda. das escolas não está feliz. É um ambiente mórbido, onde a escuridão se reflete nas caras diárias. É um ambiente tóxico, que sacrifica profissionais, em prol do Colgate School com direito a publicação rosa nos jornais escolares e/ou locais, com pontual divulgação nas emissoras nacionais. Por sua vez, as que adotaram a "Happy School"... é o retrato descrito, com uma Ditadura Happy. Sei do que falo, pelo menos de uma que conheço, na qual tenho amigos e familiares a trabalhar.
    Happy mesmo é continuar a promover e a acreditar no Pai Natal. Ups!...que é nórdico.

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    1. Eu já fui (muitíssimo) feliz na Escola, e isso enquanto professor! Nos primeiros 16 anos de docência, seguramente! Nestes últimos 20, certamente que não! E como me vou reformar daqui a 6 ou 7 anos, não tenho nenhuma esperança em reviver essa felicidade! Mas, a meu ver, a receita é simples... é só ler acima.

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